As conclusões de psiquiatras nomeados pelo tribunal de Oslo, antes de ontem divulgadas, podem levar A. Breivik a ser declarado demente e inimputável. Num país onde a pena de prisão máxima é de 21 anos, parece-me que tudo isto não passa de um truque para manter Breivik á sombra o resto da vida. Ao velho e tradicional estilo da ex- União Soviética, onde os dissidentes políticos eram tratados como dementes. Ou melhor, eram levados á loucura em campos de concentração psiquiátricos.
O diagnóstico feito pelos psiquiatras noruegueses levanta muitas dúvidas na comunidade de especialistas. Para alguns psiquiatras portugueses ouvidos sobre o assunto, aquele diagnóstico também levanta muitas questões.
Parece-me a mim que estamos perante um caso de classificação de "demência política" mais do que esquizofrenia paranóide. Concorre para estas suspeitas a declaração de um advogado de uma das vítimas: "a coisa mais importante na opinião dos nossos clientes é que ele não possa andar mais a passear na rua". O que significa que para eles só os 21 anos de prisão não são toleráveis.
A confirmar-se o veredicto, este pode-se tornar um perigoso precedente. Deve ficar claro em todo este processo, até onde vai a avaliação clínica, criminal e política. Parece-me que a fronteira entre estas 3 esferas se estão a misturar criticamente.


