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Tuesday, November 1, 2011

Também Sou Um Indignado

Nos próximos tempos as ruas portuguesas vão ser agitadas com desfiles, maioritariamente de funcionários públicos, encabeçados pelos dois dos mais gordos nababos da política nacional, os eternos dirigentes das centrais sindicais, pela extrema-esquerda, e pelos oportunistas do costume - os socialistas.

O que á primeira vista parece ser uma manifestação anti-governo, são afinal de contas as entranhas agitadas (indignadas) do aparelho de estado: As reinvidicações são claras: querem ser mais bem pagos e reformarem-se mais cedo, querem 14 meses de ordenado quando só trabalham 12...etc.  
Mas quem vai pagar para isso? A resposta a esta questão não constitui o problema deles, e muito menos dos dirigentes sindicais que já têm a vidinha bem subvencionada, com 1 ou 2% dos salários dos seus associados descontados para as suas estruturas de classe vitalícias, estando-se completamente nas tintas para a aritmética da nossa ruína e do nosso descontentamento.
É assim que querem continuar numa confrangedora dissonância cognitiva face á realidade da banca rota portuguesa criada pelo socialismo. No fundo todos estes indignados querem ainda mais estado. Eu não. Por mim, privatizava tudo menos a Justiça, as Polícias e as Forças Armadas. Portugal precisa mais de cidadãos empreendedores e livres e menos de servos da gula do estado. O Jurássico Estado tutelar português é a fonte da nossa pobreza, do nosso atraso, da corrupção e do provincianismo nacional.

O amanhã já foi gasto… hoje. Talvez porque na Europa já quase que não há filhos e muito menos haverão netos. E portanto não haverá futuro. O desporto preferido dos estados salteadores sociais não foi o de imprimir dinheiro mas o de imprimir cartões de crédito. Como dizia Mrs Thatcher, o problema do socialismo é gastar completamente o dinheiro das pessoas. No entanto, a Europa actual, avançou para um estádio superior de desastre. Para além de ter esgotado o dinheiro, esgotou-se também de pessoas.

Bestial!, gritarão os progressistas e ecologistas. Acabemos com a explosão demográfica agora que já somos 7 biliões de almas neste terceiro calhau a contar do Sol.

Os portugueses já gastam mais com os cães do que com os filhos. Portugal tem a 3ª taxa mais baixa de fertilidade do mundo. Na Alemanha, uma em cada três fraulein retiraram-se completamente do negócio da maternidade. A população em idade de trabalhar na Alemanha vai decrescer 30% nas próximas décadas, afirma Steffen Krohnert, do Berlin Institute for Population Development. As áreas rurais verão um declínio massivo e muitas aldeias simplesmente desaparecerão. Nada do que já não tenha acontecido em Portugal. No futuro, a Alemanha e por maioria de razão toda a Europa, será um bloco económico-político bastante fraquinho.
Como bem diz Mark Steyn no seu último livro, After America (pedindo emprestado o conceito ao Minority Report de Philip K Dick), a União Europeia cometeu um Prè-crime: assassinou a próxima geração.

Sunday, October 16, 2011

Modelos.

Sempre que uma agência de notação baixa o rating da economia de Portugal ou de uma empresa, um coro de indignação varre as ondas electromagnéticas dos inúmeros programas de debate político-económico no país. O argumento mais batido é o da falta de legitimidade de tais agências porque, dizem eles, espalharam-se ao comprido mesmo na véspera do colapso em dominó das instituições financeiras ocidentais. Curiosamente não se explica porque é que as agências financeiras falharam. E não é explicado porque não interessa.

Em 15 de Setembro de 2008, a Lehman’s Brothers, um dos 4 bancos de investimento mais ricos do mundo, entrou em falência. Tal foi a escala do colapso do sistema financeiro em ambos os lados do Atlântico, que o mundo derrapou para a maior Depressão desde os anos 30.
As causas imediatas deste crash financeiro estiveram no risco com que muitas instituições financeiras aplicaram elevadas quantidades de  dinheiro em investimentos sobreavaliados e que pensavam ser seguros. Os produtos tóxicos.
Até aqui nada de novo. Contudo, o factor deliberadamente omitido nesta grande escapadela á realidade, foi a enorme fé (e a ganância em anexo), colocada pelos mercados financeiros nesses investimentos e empréstimos, resultantes da demasiada confiança, senão mesmo da total dependência, das projecções de modelos computorizados.
Quando a Forbes previu em Abril de 2008 que as acções da Freddie Mac, um dos dois monstros americanos que dominavam o mercado das hipotecas, pareciam atractivas a 29 dólares, a razão para este parecer foi baseada na avaliação proveniente dos dispendiosos programas (modelos) de computador, que perderam totalmente o contacto com a realidade daquela companhia. Cinco meses depois, as acções da Freddie Mac valiam apenas 25 cêntimos, uma queda de 99% do seu valor. Talvez seja esta a inspiração para o nome porque são conhecidos, aquela camada de contestários que se amontoam em Wall Street, accionados pelos dinheiros de um conhecido especulador.

Se os modelos computorizados funcionando a wishfull thinking provaram ser tão desastrosamente incapazes de espelhar todas as variáveis envolvidas no mercado das hipotecas, como é que eles podem ser fiáveis na replicação de variáveis infinitamente mais complexas envolvidas na previsão do clima futuro do planeta?

Pois é aqui que a porca torce o rabo. É que maioria dos políticos e comentadores que “se atiram como lobos famintos” às agências de rating, são os mesmos que fazem a apologia do aquecimento global (como a senhora Teresa de Sousa, só para dar um exemplo) que resulta, também ele, de modelos computorizados. Portanto, não vá o abovinado e hipnotizado people frente ao écran televisivo, fazer a imediata relação entre a falência dos modelos de análise financeira e os modelos de análise climática, o melhor é sossegá-los, escamotear e chutar para canto a verdadeira razão pela qual as agências falharam e ficar só pela contestação fácil, antes que a contradição dos palradores residentes se torne óbvia.
Uma ligação mais específica entre o crash financeiro e as “alterações climáticas” constituiu a falência da Lehman Brothers. Este banco investiu biliões de dólares para se tornar o líder global no mercado da transacção de “créditos de carbono”, através da Emission Trading Scheme da União Europeia, do Clean Development Mecanism das Nações Unidas e do sistema “cap and trade” proposto para os Estados Unidos, que por McCain quer por Obama. Conforme a própria Lehman anunciou, em dois robustos relatórios intitulados The Business of Climate Change, esperavam tornar-se rapidamente a primeira empresa de correctores para as emissões de carbono, num mercado que se esperava que a curto prazo valesse triliões de dólares.
Era este o sonho antes do rebentar da tempestade. Sonho que alimentava e unia burocratas da União Europeia, capitalistas, ambientalistas, e muitos dos indignados esquerdistas que hoje arrotam postas de pescada na Wall Street e nas praças das cidades do mundo ocidental.