
Um dilúvio de exagero climatérico, de propaganda, de pseudo ciência, de catástrofes imaginárias e sobretudo de muita mentira, é que o podemos esperar da próxima cimeira das alterações climáticas que se irá a realizar na capital da Dinamarca ainda este mês. Se o tratado for assinado, como tudo leva a crer que será, uma verdadeira catástrofe económica e, quiçá, civilizacional, abater-se-á sobre as nossas cabeças. Mas começemos pelo princípio:
Em 1994, Sir John Houghton, chairman do grupo científico do IPCC definia o estilo, ao afirmar que, "a não ser que anunciemos desastres, ninguém nos ouvirá." Seguindo os conselhos do Dr. Stephan Schneider que uns anos antes, mais precisamente na revista Discover de Outubro de 1989, denunciava publicamente a sua desonestidade ao assumir que, "para capturar a imaginação popular temos que oferecer alguns cenários assustadores, elaborar afirmações dramáticas e simplistas e pouca menção de qualquer dúvida que possamos ter. Cada um de nós tem que ponderar o correcto balanço entre o ser efectivo e ser honesto".
À medida que a primeira década do sec. XXI se aproxima do seu fim, torna-se evidente que, graças ao aquecimento global, o mundo pode estar a dirigir-se para uma catástrofe sem precedentes, mas não aquela que o Prémio Nobel Al Gore tão estridentemente e lucrativamente tem anunciado.
O verdadeiro desastre que o aquecimento global trará, agora perfeitamente plausivel, não é o apocalipse em technicolor predito por Gore e a sua legião de seguidores - fusão das calotes glaciares, levantamento do nivel médio das águas dos mares, furacões dignos de Júpiter, secas marcianas e extinções em massa cretácicas. O verdadeiro desastre será o resultado de todas as medidas propostas pelos políticos na esperança de poderem evitar os cenários de pesadelo, que a maioria dos especialistas agora acreditam que nunca acontecerão.
Nas últimas décadas do sec. XX, um certo número de cientistas convenceu-se que a atmosfera da Terra começou de repente a aquecer numa dimensão nunca antes verificada, e este aquecimento foi atribuido ás actividades humanas devido à emissão de dióxido de carbono e de outros gases de estufa provenientes da queima dos combustíveis fósseis. Criaram-se modelos de computador elaborados que aparentemente confirmavam as previsões.
Num curto e perplexo intervalo de tempo esses cientistas - ajudados pelo activismo espectacular e vociferante dos grupos ambientalistas - convenceram as figuras políticas-chave, o mais notável o senador Gore, que esta alegada subida de temperatura era o maior desafio com que a humanidade se confrontava. Só tomando as acções mais drásticas o desastre poderia ser evitado.
O maestro da promoção da causa passou a ser o IPCC, formado em 1988. Contrariamente á suposição geral, o IPCC, nasceu como uma organização essencialmente política e não científica. No entanto passou a ser descrita pelos políticos e pelos media como representante do consenso dos maiores cérebros de climatologia do mundo. O tão badalado, "the world's top climate scientists". Contudo a esmagadora maioria dos participantes e colaboradores não eram climatologistas e muito menos cientistas.
Imediatamente se percebeu que a acção do IPCC não era analisar e pesar se as evidências do aquecimento eram da responsabilidade do Homem ou não. Tomaram como dado adquirido que as actividades humans induziam as alterações climáticas, e ponto final parágrafo.
Trabalhando numa agenda totalmente controlada "de cima", o papel do IPCC não era questionar esta nova ortodoxia mas, pelo contrário, promovê-la e inspirar uma resposta política a esta "ameaça" cuja natureza foi assumida desde o início. Em 1997 isto conduziu á assinatura do Protocolo de Kyoto por 180 países em que se comprometiam a reduzir as emissões ao nível de 1990.