Sunday, June 12, 2011

Eleições na Turquia

Manifestação de mulheres curdas

Hoje, a Turquia vai eleger um novo parlamento e imagina-se que os resultados reforcem a anaconda islamista no poder, o AKP, o partido do primeiro-ministro Erdogan, que lenta mas inexoravelmente vai asfixiando o laicismo herdado de Ataturk. Ao mesmo tempo que a economia do país melhorou bastante neste últimos anos (o PIB cresceu 9% em 2010) a oposição tem mais dificuldade em ganhar terreno. Para além disso, as purgas nas altas patentes das forças armadas, a constante propaganda de campanha eleitoral que o partido no poder desenvolve constantemente, sobretudo nos meios muçulmanos mais tradicionais, que são maioritários naquele país, vai garantindo bons resultados eleitorais e a consequente queda da Turquia no islamismo.
Erdogan, sabe bem o que quer construir na Turquia. Nada menos que um novo Império Otomano, uma força geoestratégica dominadora no Mediterrâneo Oriental, no Médio Oriente e projectar força política em direcção à Europa. Os sinais são evidentes:

A dupla aliança: simultaneamente pertence á NATO e é aliado dos regimes islamo-fascistas da Síria e do Irão. Talvez esta seja uma das razões para que o Ocidente em geral e a NATO em particular, assobiem para os lados da Líbia, enquanto Assad provoca um autêntico banho de sangue no seu povo. Este cenário faz da NATO, também uma aliado, mesmo que indirectamente, da Síria e do Irão.

As constantes provocações a Israel, o levantar da voz, quer em actos promovidos discretamente por organizações ligadas ao AKP, quer na propaganda orquestrada em manifestações de rua onde não faltam as suásticas;

a intervenção nos assuntos da política interna dos países europeus, nomeadamente da Alemanha, é uma prova de confiança e de vitalidade na força Turca que não hesitam em afirmar, que na Alemanha, os turcos não têm que se integrar, deixando implícito the other way around, isto é, são os alemães que no seu próprio país se têm de adaptar aos turcos. Tudo isto eleva o moral destes e a votação no AKP, provocando um efeito co-lateral a Ocidente: deixa os jornalistas á beira do orgasmo.

Mais votos em Erdogan dar-lhe-ão mais força e um impulse para que se eternize chefe no imaginário popular. Por isso a Europa, devia estar mais atenta á Turquia e dizer-lhe de uma vez por todas:

A Turquia não tem lugar na Europa. E ponto final parágrafo.


2 comments:

FireHead said...

Quem diz Turquia diz também Cazaquistão ou Azerbaijão e até países europeus de população muçulmana como o Kosovo, a Bósnia-Herzegovina e a Albânia. Já o Wikileaks tinha revelado que a Turquia tem o objectivo de islamizar a Europa.

rui mig said...

Também acho Firehead